Doenças

Doenças otorrinolaringológicas comuns na infância:

Otite externa aguda

Otites externas agudas são infecções da parte mais externa da orelha ( conduto auditivo externo).
Ocorrem mais comumente no verão e estão relacionadas aos banhos de mar, piscina, rio. Nas outras épocas do ano ocorrem mais em praticantes de esportes aquáticos.

O principal sintoma é a dor que pode ser intensa e piorar ao toque da orelha. A audição pode ser temporariamente afetada.
Fatores de risco incluem alta temperatura e umidade do ambiente, ausência de cerúmen que é protetor da pele da orelha externa, lesões escarificadas que podem ser provocadas pelo uso de cotonetes nas orelhas e reações alérgicas locais.

O tratamento é principalmente tópico com uso de medicamentos como os antibióticos em gotas.

Otites médias agudas

Otites médias agudas são inflamações da parte média da orelha logo atrás da membrana do tímpano. Geralmente ocorrem após processo infeccioso (viral ou bacteriano) das vias aéreas superiores pois o nariz é comunicado com a orelha média através de uma passagem chamada tuba auditiva.

Os sintomas clássicos são dor de ouvido, dor de cabeça, febre, irritabilidade, inapetência, vômitos e até diarréia. Pode haver desequilíbrio, diminuição da audição e secreção purulenta na orelha acometida. Ao exame o otorrinolaringologista pode observar vermelhidão, opacificação e abaulamento da membrana timpânica (conforme a imagem).

Ocorrem mais comumente nas crianças principalmente entre 6 e 24 meses a entre 4 e 7 anos de idade. Crianças abaixo de 1 ano de idade podem apresentar manifestações mais intensas da doença.

Creche, tabagismo passivo e amamentação com a criança deitada são alguns dos principais fatores de risco. O aleitamento materno é um fator protetor.

Como mais da metade dos casos de otite média agura evolui para cura espontânea, independentemente do tratamento e, como um grande número de casos tem origem viral e não bacteriana, é recomendado o uso de antibióticos somente em casos selecionados.

Os antibióticos são utilizados para combater as doenças bacterianas e não as doenças virais.

Otites médias secretoras

Otite média secretora não é um processo inflamatório agudo da orelha. Consiste na presença de líquido na parte média da orelha (espaço que normalmente é preenchido por ar).

Fatores de risco para sua ocorrência incluem as infecções virais das vias aéreas superiores, a otite média aguda, o aleitamento artificial, o aumento da adenóide (tecido localizado na região mais posterior do nariz) e o mau funcionamento da tuba auditiva (comunicação entre o nariz e a orelha).

Além de provocar diminuição da audição, a presença de líquido na orelha média favorece a ocorrência das otites médias agudas.

O tratamento inicialmente é clínico, mas na falha deste é necessário realizar a colocação de tubo de ventilação (dreno no tímpano) cirurgicamente (conforme a imagem).

Faringotonsilites (amigdalites)

Faringotosilites são infecções que acometem a garganta, isto é, a faringe e/ou as tonsilas (amígdalas). As amígdalas são tecidos linfóides que funcionam como filtros para agentes infecciosos e ajudam o sistema imunológico a produzir anticorpos. Estão expostas a um grande número de germes e podem ser infectadas por vírus ou bactérias. Tanto os quadros virais como bacterianos podem apresentar febre, dor de garganta, dificuldade para engolir e mal estar geral. Os quadros virais podem estar associados a coriza, obstrução nasal, secreção nasal e tosse. Em crianças pequenas pode haver outros sintomas como vômitos e/ou inapetência. Pode haver dor irradiada nos ouvidos.

Ao exame da garganta podemos observar vermelhidão, inchaço, amígdalas aumentadas de volume e cobertas por exsudato esbranquiçado (placas). O pescoço pode se apresentar com aumento de gânglios (linfonodos).

A grande maioria dos casos é viral (rinovírus, coronavírus, adenovírus, herpes simples, influenza, parainfluenza, coxsackie, citomegalovírus, Epstein-Barr vírus). Os casos virais apresentam evolução classicamente benigna e apenas o tratamento de suporte é necessário como analgésicos e antitérmicos. O uso de antibióticos deve ser evitado nos casos virais.

Um menor número dos casos é bacteriano e a principal bactéria envolvida chama-se Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Este agente pode causar complicações como abscessos (coleções de pus), febre reumática e glomerulonefrite aguda (doença aguda renal). O tratamento com antibióticos é necessário nos casos bacterianos.

Mas como distinguir um caso viral de um bacteriano?
O diagnóstico na maioria das vezes é clínico e o médico baseia-se na história dos sintomas e no exame físico. Uma diagnóstico mais preciso pode ser feito através do Teste Rápido para o Streptococcus pyogenes ou através da análise de um esfregaço de material colhido da garganta (este demora alguns dias) para determinar se há ou não bactéria. O hemograma pode ajudar nos casos duvidosos.

Quando se indica a remoção das amígdalas nos processos infecciosos? Quando o paciente apresenta amigdalites repetidas comprovadamente bacterianas e com sintomatologia intensa. Deve-se comparar o potencial risco cirúrgico (pricipalmente hemorragia) e o potencial benefício da remoção das amígdalas.

Rinossinusites agudas

A rinossinusite aguda é a inflamação da mucosa que reveste a cavidade nasal e os seios paranasais (seios da face). Infecções virais como gripes e resfriados produzem esta inflamação e também são chamadas de rinossinusites (rinossinusite viral). Os adultos podem apresentar em média duas a três rinossinusites virais ao ano. As crianças podem apresentar uma frequência bem maior destes processos virais (6 a 8 ao ano). Os processos virais não requerem o uso de antibióticos e devem ser tratados com analgésicos, antitérmicos e lavagens nasais com soro fisiológico.

As rinossinusites bacterianas ocorrem geralmente após uma infecção viral ou inflamação alérgica das vias aéreas superiores. Apenas 0.5 a 2 % das rinossinusites virais evoluem para rinossinusite bacteriana. O principal desafio é distinguir o processo bacteriano do viral pois o antibiótico só deve ser usado nos casos bacterianos.
Suspeitamos de rinossinusite bacteriana aguda quando os sintomas de obstrução nasal, secreção nasal purulenta, secreção descendo do nariz para garganta, tosse, dor facial que piora ao baixar a cabeça, dor de cabeça e/ou dor nos dentes persistirem por mais de dez dias ou quando houver piora dos sintomas após o quinto e sétimo dia. A presença de febre e/ou dor facial sem os outros sintomas comuns não é sugestiva de processo bacteriano.

O exame de videonasoendoscopia (endoscopia do nariz) ajuda o diagnótico pois permite a vizualização direta da mucosa nasal e das aberturas dos seios da face para o nariz. A presença de secreção purulenta na abertura dos seios da face é fortemente sugestivo de rinossinusite aguda bacteriana.

O raio x dos seios da face tem valor diagnóstico controverso pois pode se apresentar normal na presença de doença (falso negativo) e pode se apresentar alterado em pacientes sadios (falso positivo).